Um homem achou U$7 milhões escondidos no armário que ele comprou por U$500? Verdade Ou Mentira?

É verdade que um homem encontrou 7 milhões de dólares escondidos em um armário que ele comprou usado por apenas 500 dólares em um leilão?

A notícia surgiu em diversos sites e blogs no final de novembro de 2018 e conta a história do empresário sortudo que teria comprado um armário em um leilão por US$ 500 (cerca de R$ 1.900) e teria descoberto mais de US$ 7,5 milhões (cerca de R$ 28,3 milhões) em dinheiro escondidos dentro do móvel!

Será que isso é verdade ou mentira?

 

Aretha Franklin Hearse

 

Verdade ou mentira?
Dan Dotson, leiloeiro no programa “Storage Wars” (“Quem Dá Mais”, aqui no Brasil), disse em entrevistas que uma mulher lhe contou essa história estranha. No relato, a mulher teria afirmado que seu marido havia comprado um armário em um leilão promovido pelo próprio Dotson e, para a surpresa de todos, dentro do móvel havia um cofre com mais de sete milhões de dólares!

O leiloeiro disse também que, após a divulgação da descoberta do tesouro, os advogados dos antigos donos do armário ofereceram uma recompensa pela recuperação do dinheiro e que o comprador anônimo aceitou a proposta após dobrar o prêmio.

O comprador do móvel só teria aceitado devolver a grana (por medo do dinheiro ser de origem da máfia ou de traficantes) após receber a recompensa de U$1,2 milhão.

Cá entre nós, é meio difícil de acreditar nessa história, visto que não não há relatos além dos do próprio Dan Dotson. Além disso, como alguém leva a leilão um armário sem verificar o seu interior?

Histórico manchado:

O reality show Storage Wars estreou a sua 12ª temporada nos Estados Unidos em novembro de 2018, o que levanta suspeitas de que o assunto do tal armário milionário tenha surgido nesse momento como um golpe de marketing para atrair mais espectadores para o programa. Se isso for apenas um golpe publicitário, essa não seria a primeira vez que o programa teria sido alvo de acusações de fraude. Em dezembro de 2012, o Dave Hester – um dos participantes – entrou com uma ação contra o A&E (a emissora do reality show) e sua produção, alegando que os produtores haviam plantado itens em armários antes das gravações. A emissora não se defendeu das acusações, mas alegou que as provas que a acusação tinha não se aplicavam para TVs a cabo (visto que canais por assinatura surgiram antes da “Lei de TV”) e, em março de 2013, obteve uma vitória parcial na ação e Hester foi condenado a pagar os honorários advocatícios para A&E (além de ser demitido da emissora).
Em setembro de 2013, Hester teve um de seus pedidos aprovados pela Suprema Corte de Los Angeles, que decidiu que a sua demissão foi injusta e exigiu a volta do comprador ao programa. O produtor executivo Thom Beers declarou, em 2011, que a grande maioria dos armários de armazenamento investigados durante a produção não contém nada de interessante e, por isso, não aparece na edição final do show. O mesmo Thom Beers admitiu, em 2012, que metade das histórias que aparecem no program é roteirizado e que muitos itens são comprados (e re-comprados) pela mesma pessoa.

Conclusão:
A notícia afirmando que um homem encontrou sete milhões de dólares em um armário antigo que ele havia comprado por U$500 tem como fonte apenas uma pessoa e, por isso, não temos como comprovar (e nem como negar). É uma grande coincidência o assunto surgir exatamente no mês da reestreia do reality show!

Uma professora de Filosofia fez ensaio sensual na biblioteca da USP? Verdade Ou Mentira?

A imagem de uma mulher de lingerie, posando sensualmente em uma sala com vários livros, começou a se espalhar nas redes sociais na segunda quinzena de maio de 2019 e, de acordo com o texto que acompanha a foto, a moça seria uma uma professora de Filosofia da USP e que ela teria feito um “ensaio sensual” dentro da biblioteca da faculdade!

Será que essa história é verdadeira ou mentira?

Verdade ou mentira?
Uma busca no Facebook mostra que a primeira (ou uma das primeiras) fanpage a publicar essa história foi a humorística Doutrinação nas Escolas, no dia 14 de maio de 2019. Na postagem é citado até o nome da suposta professora, mas “Sara Antonella Lenin” não consta na relação de docentes do Departamento de Filosofia da USP.
A moça da foto
Se a professora não existe, quem é a moça da foto?

Uma busca rápida no Google revela que a mulher é a ex-atriz de filmes adultos Sasha Grey. Em 2006, a norte-americana Marina Ann Hantzis adotou o nome artístico Sasha Grey e iniciou a sua carreira de 6 anos na indústria pornográfica. Na Amazon podemos ver outra foto desse mesmo ensaio à venda.

Em 2012, a atriz abandonou a sua vida no entretenimento adulto – após participar de mais de 250 produções pornográficas – para se dedicar a sua banda de música eletrônica, a Telecine.

Conclusão:
A história afirmando que uma professora de Filosofia da USP teria feito um ensaio fotográfico sensual na biblioteca da universidade é falsa!

Alfred Hitchcock ensinou a cura para o fascismo? Verdade Ou Mentira?

 

Alfred Hitchcock foi um cineasta britânico. Apesar de ter falecido em 1980, ele é considerado até hoje como um dos mais influentes da história do cinema. Conhecido como o “Mestre do Suspense”, ele dirigiu 53 longas-metragens ao longo de seis décadas de carreira. Ele também produziu material anti-nazifascista, basicamente curtas-metragens, como parte de um esforço de propaganda durante a Segunda Guerra Mundial. O material foi considerado como “muito subversivo” para ser utilizado nesse sentido. Parte de sua obra acabou sendo divulgada somente na década de 1990, quase uma década e meia após a sua morte.

Entretanto, será que ele ensinou a “cura para o fascismo” em um dos filmes que produziu? É isso que alegam algumas imagens, tanto em inglês quanto em português, que circulam nas redes sociais, ao menos desde 2017. Essas imagens são geralmente divulgadas em páginas no Facebook, nacionais e internacionais, no Twitter e no Reddit.

Verdade Ou Mentira?
O segmento onde Alfred Hitchock aparece foi tirado de contexto! Na verdade, ele estava falando sobre a insônia, não sobre o fascismo. O segmento é a introdução de um episódio intitulado “A Bullet for Baldwin“, da série “Alfred Hitchcock Presents“, exibido em 1956.

Conclusão:

O segmento onde Alfred Hitchock aparece foi tirado de contexto! Na verdade, ele estava falando sobre a insônia, não sobre o fascismo. O segmento nada mais é do que a introdução de um episódio intitulado “A Bullet for Baldwin”, da série “Alfred Hitchcock Presents”, exibido em 1956. Aliás, diga-se de passagem, a introdução possui tom humorístico, e não faz qualquer apologia ao assassinato ou suicídio.

Posted in Padão at maio 4th, 2019. No Comments.

China inaugura ônibus elevado! Será verdade Ou Mentira?

Chineses teriam inaugurado o que seria uma revolução nos meios de transportes: Um ônibus que passa por cima dos carros, podendo levar até 1200 passageiros! Será?

A notícia surgiu em diversos sites e portais no começo de agosto de 2016 e mostra um novo conceito em transporte de passageiros: Um ônibus elevado que poderia levar até 1200 passageiros por viagem e, por ser elevado, deixaria os veículos de passeio livres para passarem por baixo dele. Ou seja, o TEB-1 além de levar centenas de passageiros, ainda deixaria as ruas e avenidas livres para os veículos de passeio.

As fotos da inauguração do “ônibus do futuro” se espalharam pela web e muita gente ficou curiosa para saber se isso é verdade ou Mentira?
Será que esse ônibus existe mesmo?

Verdade Ou Mentira?
Após o alvoroço que a inauguração desse ônibus causou na web, vários sites começaram a questionar a veracidade das informações que estavam sendo compartilhadas por aí. Um bom exemplo é o Car News China, que mostrou vários indícios de que o Transit Elevated Bus (TEB-1) é apenas um conceito que ainda não está funcionando de verdade!

O percurso real do ônibus elevado foi de apenas 300 metros, somente para ser mostrado aos investidores (que parecem ter comprado a ideia, investindo milhões no TEB-1.

De acordo com o site CarPlace, as autoridades locais da cidade de Qinhuangdao (onde foi realizado o teste) não foram notificadas do acontecimento.

Como mostrado na imagem abaixo, o ônibus não é um ônibus, mas também não é um trem, visto que os trilhos são apenas canaletas feitas de forma bem precária:

O Car News China também explicou que o projeto foi feito em apenas 2 meses, o que fez com que muitas peças do veículo fossem colocadas às pressas e sem a menor segurança:
Além disso, o TEB teria apenas 4,8 metros de altura, deixando o vão inferior com apenas 2 metros de altura para a passagem dos carros. Apenas veículos pequenos poderiam passar por baixo do ônibus. Uma pickup, por exemplo, já não poderia passar!

Veja na imagem abaixo que os engenheiros usaram um ar-condicionado residencial no ônibus, mostrando que o veículo não pode ir muito longe:

Conclusão:
A ideia do ônibus elevado é até boa, mas o TEB ainda não está funcionando de verdade! Trata-se apenas de um protótipo feito para atrair a grana dos investidores desavisados!

Posted in China Inaugura Ônibus Elevado at maio 3rd, 2019. No Comments.

Uma mulher foi presa por manter o marido acorrentado em casa durante o carnaval? Verdade Ou Mentira?

É verdade que uma jovem goiana foi presa por prender com correntes o marido em casa durante os 5 dias de carnaval?

A notícia surgiu nas redes sociais na primeira semana de março de 2019, indo parar até no nosso grupo do Facebook. Segundo o texto, que é compartilhado acompanhado de fotos dos envolvidos, uma mulher de Campo Verde (GO) teria acorrentado o marido durante os 5 dias de carnaval e que ele teria sido libertado pelos vizinhos somente na quarta-feira de cinzas.

A notícia afirma também que, de acordo com a Polícia Militar, Aguinaldo dos Santos teria sido preso por correntes pela sua própria esposa enquanto dormia, passando os 5 dias de carnaval sem poder sair de casa. Enquanto isso, diz a reportagem, Jéssica Balbino teria saído todos os dias para o carnaval de sua cidade.

Jéssica teria confessado em depoimento à Polícia que manteve o marido acorrentado em casa por vingança já que ele a traiu diversas vezes em carnavais anteriores, sendo autuada em flagrante por cárcere privado.

Será que essa notícia é Verdade Ou Mentira?


Como você pode notar nessa história, ela tem várias características de uma fake news:

Usa nomes de pessoas que não existem.
Não revela dados importantes, como em qual delegacia o crime teria sido registrado
Usa fotos e imagens que nada tem a ver com a história
Não foi noticiado em nenhum jornal (apenas em sites conhecidos por espalhar fake news)
Apela para o emocional do leitor (criando uma empatia com o assunto)
Possui erros de gramática
Logo de cara, uma busca por “Aguinaldo dos Santos“ e “Jéssica Balbino“ não retorna nenhum resultado, a não ser de sites que apenas copiaram o mesmo texto.
Não há nenhuma menção ao assunto nos jornais locais (nem de Campo Verde e nem do estado de Goiás). Aliás, não existe uma cidade chamada “Campo Verde” em Goiás, mas Campos Verdes. O município de Campo Verde (no singular) fica no estado do Mato Grosso.

As fotos usadas na fake news:

Se essa notícia é falsa, como explicar as fotos usadas na “reportagem”? A resposta vai te surpreender (brincadeira, gente):

Uma busca reversa dessas imagens (veja aqui como fazemos esse tipo de busca) revela que a mulher que aparece na imagem (e chamada de “Jéssica Balbino”) é, na verdade, uma fugitiva da justiça que teria sido capturada por caçadores de recompensas norte-americanos. Não há muita informação a respeito dessa foto, mas ela faz parte de uma galeria chamada “mulheres algemadas” no Flickr.

Perceba no detalhe abaixo que as algemas são roxas, bem diferentes das usadas pela polícia no Brasil:
Quanto ao homem que aparece preso por correntes, não encontramos a sua origem. Quem souber, nos ajude aí nos comentários.

Conclusão:
A notícia afirmando que uma mulher teria amarrado o marido com correntes para impedi-lo de comemorar o carnaval, em Goiás, é falsa!

Uma trapezista com diarreia defecou em cima de 23 espectadores em um circo? Verdade Ou Mentira?

É verdade que uma trapezista com diarreia não conseguiu segurar as suas fezes e acabou defecando sobre 23 espectadores durante apresentação em um circo?

A notícia surgiu nas redes sociais no começo de março de 2019 e se espalhou também através de publicações em sites e blogs. De acordo com o texto, uma apresentação de um número de trapézio em um circo montado em Valência – na Espanha – terminou mal para 23 dos espectadores.

É que uma das das assistentes do Circo Bélgica, segundo o que diz na reportagem, teria sofrido um desarranjo intestinal, que fez com que ela defecasse lá do alto sobre 23 pessoas durante um de seus saltos.

Será que essa notícia é Verdade ou Mentira?

Verdade ou mentira?
A primeira coisa que sempre fazemos em casos como esses é procurar pelo nome dos envolvidos. Como a notícia espalhada pela web não dá muitos detalhes, fomos em busca do nome do circo, mas descobrimos que não existe um “Circo da Bélgica”. O que existe é o Cirque Democratique De La Belgique (ou o Circo Democrático da Bélgica) e não há nenhuma notícia envolvendo incidentes dessa natureza nesse espetáculo.


Origens:
A história da trapezista com diarreia que teria defecado na plateia surgiu no site humorístico espanhol Hay Noticia, em uma postagem feita no dia 02 de março de 2019. Mesmo deixando claro que se trata de um site de humor, muita gente compartilhou a brincadeira como se fosse algo real.

Esse site é o mesmo que, no começo de 2018, inventou a notícia afirmando que dois coroinhas teriam colocado maconha no incensário da igreja, deixando os fieis “alegres”:

Conclusão:
A notícia afirmando que uma trapezista com diarreia teria defecado sobre 23 pessoas da plateia é falsa! Tudo começou em um site humorístico espanhol, mas acabou enganando muita gente!

Momo invadiu o YouTube Kids e está ensinando crianças a se matarem? Verdade Ou Mentira?

 

Diversos usuários nos pediram ao longo dos últimos dias para que fizéssemos uma postagem sobre a “Momo”, e sua suposta relação com o aplicativo “YouTube Kids”. Está sendo amplamente divulgado, seja através de sites de revistas, de notícias ou por meio de reportagens de TV, que o fenômeno “Momo” teria retornado de uma forma ainda mais cruel e sádica: incentivando crianças a se matarem, através de orientações inseridas no meio de vídeos inocentes acessados através do aplicativo “YouTube Kids”, destinado a crianças com menos de 13 anos.

Entretanto, será que isso é realmente verdade? Tais inserções macabras foram realmente inseridas maliciosamente em vídeos infantis?

Entendendo o Fenômeno “Momo”:

Se vocês não fazem ideia do que é a “Momo”, fiquem tranquilos! Vamos explicar rapidamente o que é isso para vocês. Bem, a “Momo” surgiu no início de julho de 2018 através de vídeos publicados por adolescentes no YouTube, que tentavam interagir com “alguém” chamado “Momo”. A mesma situação ocorreu no Facebook, através de postagens que incentivavam os usuários a entrarem em contato, por meio de números do WhatsApp, com essa tal “Momo”.

Muitas dessas postagens, no entanto, tinham caráter de corrente, ou seja, pediam para que as pessoas compartilhassem o conteúdo, caso contrário morreriam. É difícil apontar quem foi que começou com toda essa história, visto que o fenômeno “Momo” pode ter começado em um grupo privado no Facebook ou em demais redes sociais.

Curiosamente, ao entrar em contato com a “Momo”, muitas vezes “ela” sequer respondia as mensagens. Em outras ocasiões respondia com mensagens genéricas, ameaças aleatórias ou enviando imagens contendo violência gráfica. Já em outros casos, usuários alegaram que a “Momo” tinha capacidade de saber seu nome, endereço e demais dados pessoais. Porém, não temos evidência alguma, que isso realmente ocorreu ou diante de qual situação isso pode ter acontecido. As histórias foram crescendo ao longo do tempo, e houve até quem sugerisse que a “Momo” fosse um projeto japonês visando o roubo de informações de terceiros. No entanto, nunca apontaram uma única evidência ou prova que sustentasse tal alegação.

 

Assim sendo, podemos dizer, com certa tranquilidade que as interações entre a “Momo” e seus interlocutores não envolviam nada de paranormal ou extraordinário. Além disso, a teoria que a “Momo” seria um hacker ou um computador destinado a coletar informações é totalmente infundada. Se quiserem saber maiores informações recomendo fortemente, que assistam a um vídeo do do canal “Fábrica de Noobs”, no YouTube, chamado: “Desmistificando: Momo, o perfil amaldiçoado do WhatsApp“.

A Origem da Imagem:

A imagem sinistra associada a “Momo” era tão somente uma escultura de 1 metro de altura, originalmente criada em 2016, que foi apresentada em uma galeria de arte em Tóquio, chamada “Vanilla Gallery“, no distrito de Ginza, em uma exposição sobre fantasmas e espectros.

A inspiração veio de uma lenda japonesa em que uma mulher morre no parto e retorna para assombrar os vivos ou algo assim. A escultura foi chamada de “Mother Bird” (“Mãe-Pássaro”, em uma tradução livre para o português), e consiste em uma cabeça com traços humanos, e apoiada em pés de pássaro. O material usado na criação foi apenas borracha e óleos naturais. Com o tempo, a escultura foi se deteriorando.
Por outro lado, naquela mesma época, também começaram a viralizar vídeos onde mostravam a “Momo” como se estivesse “viva”. No entanto, tais vídeos são falsos, visto que são produtos de manipulação digital através de aplicativos para celular, assim como o Snapchat (algo conhecido como “face swap“).

Recentemente, o artista responsável pela escultura, chamado Keisuke Aiso, afirmou que a jogou no lixo poucos dias antes dela viralizar, no ano passado. Apesar de ter afirmado que se livrou da escultura, ele ainda preservou o molde original, ou seja, a escultura ainda é facilmente reproduzível, caso ainda haja interessados no futuro. De qualquer forma, em entrevista ao site “The Japan Times“, o artista disse que até aquele momento ninguém havia demonstrado interesse em adquirir uma réplica.
Enfim, por último é importante destacar, que Keisuke Aiso sempre negou qualquer envolvimento na propagação desse fenômeno pela internet.

O Fenômeno “Momo” Deixou Crianças e Adolescentes Feridos ou Fez com que se Suicidassem?

É importante deixar claro que o “Desafio da Momo”, na prática, nunca existiu. Foi feito um grande alarde durante o ano de 2018 sobre esse assunto, que virou alvo de diversas matérias, reportagens, vídeos de YouTubers dos mais diversos tipos, tanto desmistificando quanto alimentando ainda mais esse boato. Infelizmente, foi disseminado de maneira totalmente alarmista, que crianças e adolescentes estavam sendo atraídos por um usuário chamado “Momo” para realizar uma série de tarefas perigosas, incluindo ataques violentos, automutilação e suicídio. Apesar das alegações de que o fenômeno havia atingido proporções mundiais, o número de queixas comprovadamente verídicas era relativamente pequeno, e nenhum departamento de polícia confirmou, que alguém teria sofrido quaisquer danos físicos como resultado direto disso. A preocupação e a angústia relatadas pelas crianças foram impulsionadas principalmente pelos relatos publicados pela mídia, e não como resultado direto da “Momo”, ou seja, os alertas sobre o suposto fenômeno se tornaram mais prejudiciais do que benéficos, levando a uma espécie de “profecia autorrealizável”, que pode ter encorajado as crianças a procurar material violento nas redes sociais. Ao fazer uma busca na internet podemos ver inúmeras manchetes tentando atribuir o fenômeno “Momo” a casos de suicídios entre crianças e adolescentes, porém todos os casos que acessamos se tratavam de hipóteses, especulações ou possibilidades, que não foram confirmadas pela polícia.

Verdade Ou Mentira?

O Fenômeno “Momo” Retornou Através de Inserções Durante a Exibição de Vídeos Infantis Através do Aplicativo YouTube Kids?
Até o exato momento da publicação desta postagem podemos dizer que esse suposto retorno é falso! Não encontramos quaisquer evidências concretas, de que as alegações sejam verdadeiras, ou seja, de que realmente existiram vídeos infantis publicados e acessados através do aplicativo “YouTube Kids”, que contivessem inserções maliciosas da “Momo” orientando crianças a se suicidarem. Explicaremos tudo isso direitinho, porque o assunto é bem polêmico.
Vamos tentar traçar inicialmente uma linha cronológica sobre esse suposto retorno do fenômeno “Momo”. Aparentemente, toda essa história teria começado através de um “alerta” publicado em uma página chamada “Love Westhoughton” (dedicada a pequena cidade de Westhoughton, na região da Grande Manchester, na Inglaterra), no Facebook, no dia 17 de fevereiro de 2019. Esse tal “alerta” teria sido enviado para a página por um morador(a)/pai ou mãe, que não quis se identificar. Não encontramos o texto na página do Facebook – provavelmente foi apagado – porém encontramos capturas de tela disponibilizadas publicamente na internet:

Essa pessoa que enviou o relato, ou seja, uma evidência puramente anedótica, alegou que a professora de uma escola local onde o filho estudava havia chamado sua atenção, porque o filho havia feito três crianças chorarem ao dizer para elas, que a “Momo” iria visitá-las em seus quartos, à noite, e iria matá-las. Ao conversar com o filho, essa pessoa teria descoberto, que algumas crianças teriam o incitado a procurar pelo termo “momo challenge“. Essa pessoa resolveu pesquisar e encontrou que o tal desafio, que sabemos que nunca existiu, consistia em crianças enviando mensagens para um número e falando com um personagem chamado “Momo”. Esse personagem diria para eles se machucarem, algo que poderia levar ao suicídio devido ao roubo de informações pessoais da criança.
A pessoa também disse que o filho assistiu um vídeo da personagem “Momo”, que mandava ele dizer para todo mundo temer a “Momo” ou então ela o mataria durante o sono. Em nenhum momento essa pessoa disse que o vídeo estava publicado no YouTube ou incluiu quaisquer links ou capturas de tela para provar o que estava dizendo. É simplesmente um relato aleatório em uma página que possui atualmente cerca de 500 seguidores. Porém, isso foi o suficiente para a questionável mídia britânica.

O Caldeirão Britânico:

Entre os dia 17 e 19 de fevereiro praticamente ninguém estava se importando com a “Momo”, porém isso começou a mudar a partir de uma notícia divulgada pelo site do jornal “The Manchester Evening News“, no dia 20 de fevereiro. O site simplesmente disseminou um mero relato como se fosse algo que realmente tivesse acontecido, sem sequer verificar pela autenticidade do mesmo. Algo extremamente grave em se tratando de jornalismo, porém comum entre diversos veículos de comunicação do Reino Unido.
A receita do desastre virtual estava pronta, visto que no dia seguinte começaram a surgir relatos semelhantes na mídia britânica. Sites de tabloides como o “Daily Mail“, “The Sun“, “Daily Mirror” e “Daily Star” começaram a reproduzir relatos de pais, que diziam que seus filhos tinham sido aterrorizados pela “Momo”, porém sem apresentar nenhuma prova sobre isso!

Apesar dos relatos serem diferentes, eles possuíam um mesmo padrão: um pai ou uma mãe alegava, que seu filho(a) viu a Momo em um vídeo do YouTube ou que um número do WhatsApp com a imagem da “Momo” mandou mensagem para ele(a). Esses pais definiam a situação como um “jogo” ou um “desafio”, que incitava seus filhos a cometerem atos violentos, e até a se filmarem enquanto os realizavam. No entanto, nem os relatos propagados pelas redes sociais, nem as próprias notícias forneciam qualquer link ou evidência concreta de que tal conteúdo tivesse sido publicado no YouTube.

A Polícia da Irlanda do Norte Ajudou a Dar Credibilidade a Tais Relatos que Sequer Foram Verificados

PorMarco FaustinoPublicado em 19 de março de 2019 COMPARTILHE TWEET 85 COMENTÁRIOS

Diversos usuários nos pediram ao longo dos últimos dias para que fizéssemos uma postagem sobre a “Momo”, e sua suposta relação com o aplicativo “YouTube Kids”. Está sendo amplamente divulgado, seja através de sites de revistas, de notícias ou por meio de reportagens de TV, que o fenômeno “Momo” teria retornado de uma forma ainda mais cruel e sádica: incentivando crianças a se matarem, através de orientações inseridas no meio de vídeos inocentes acessados através do aplicativo “YouTube Kids”, destinado a crianças com menos de 13 anos.

Entretanto, será que isso é realmente verdade? Tais inserções macabras foram realmente inseridas maliciosamente em vídeos infantis? Descubra agora, aqui, no E-Farsas!

Entendendo o Fenômeno “Momo”
Se vocês não fazem ideia do que é a “Momo”, fiquem tranquilos! Vamos explicar rapidamente o que é isso para vocês. Bem, a “Momo” surgiu no início de julho de 2018 através de vídeos publicados por adolescentes no YouTube, que tentavam interagir com “alguém” chamado “Momo”. A mesma situação ocorreu no Facebook, através de postagens que incentivavam os usuários a entrarem em contato, por meio de números do WhatsApp, com essa tal “Momo”.

Muitas dessas postagens, no entanto, tinham caráter de corrente, ou seja, pediam para que as pessoas compartilhassem o conteúdo, caso contrário morreriam. É difícil apontar quem foi que começou com toda essa história, visto que o fenômeno “Momo” pode ter começado em um grupo privado no Facebook ou em demais redes sociais.

Bem, a “Momo” surgiu no início de julho de 2018 através de vídeos publicados por adolescentes no YouTube, que tentavam interagir com “alguém” chamado “Momo”. A mesma situação ocorreu no Facebook, através de postagens que incentivavam os usuários a entrarem em contato, por meio de números do WhatsApp, com essa tal “Momo”.

Curiosamente, ao entrar em contato com a “Momo”, muitas vezes “ela” sequer respondia as mensagens. Em outras ocasiões respondia com mensagens genéricas, ameaças aleatórias ou enviando imagens contendo violência gráfica. Já em outros casos, usuários alegaram que a “Momo” tinha capacidade de saber seu nome, endereço e demais dados pessoais. Porém, não temos evidência alguma, que isso realmente ocorreu ou diante de qual situação isso pode ter acontecido. As histórias foram crescendo ao longo do tempo, e houve até quem sugerisse que a “Momo” fosse um projeto japonês visando o roubo de informações de terceiros. No entanto, nunca apontaram uma única evidência ou prova que sustentasse tal alegação.

Assim sendo, podemos dizer, com certa tranquilidade que as interações entre a “Momo” e seus interlocutores não envolviam nada de paranormal ou extraordinário. Além disso, a teoria que a “Momo” seria um hacker ou um computador destinado a coletar informações é totalmente infundada. Se quiserem saber maiores informações recomendo fortemente, que assistam a um vídeo do do canal “Fábrica de Noobs”, no YouTube, chamado: “Desmistificando: Momo, o perfil amaldiçoado do WhatsApp“.

A Origem da Imagem
A imagem sinistra associada a “Momo” era tão somente uma escultura de 1 metro de altura, originalmente criada em 2016, que foi apresentada em uma galeria de arte em Tóquio, chamada “Vanilla Gallery“, no distrito de Ginza, em uma exposição sobre fantasmas e espectros.

A inspiração veio de uma lenda japonesa em que uma mulher morre no parto e retorna para assombrar os vivos ou algo assim. A escultura foi chamada de “Mother Bird” (“Mãe-Pássaro”, em uma tradução livre para o português), e consiste em uma cabeça com traços humanos, e apoiada em pés de pássaro. O material usado na criação foi apenas borracha e óleos naturais. Com o tempo, a escultura foi se deteriorando.

A imagem sinistra associada a “Momo” era tão somente uma escultura de 1 metro de altura, originalmente criada em 2016, que foi apresentada em uma galeria de arte em Tóquio, chamada “Vanilla Gallery”, no distrito de Ginza, em uma exposição sobre fantasmas e espectros.

Por outro lado, naquela mesma época, também começaram a viralizar vídeos onde mostravam a “Momo” como se estivesse “viva”. No entanto, tais vídeos são falsos, visto que são produtos de manipulação digital através de aplicativos para celular, assim como o Snapchat (algo conhecido como “face swap“).

Recentemente, o artista responsável pela escultura, chamado Keisuke Aiso, afirmou que a jogou no lixo poucos dias antes dela viralizar, no ano passado. Apesar de ter afirmado que se livrou da escultura, ele ainda preservou o molde original, ou seja, a escultura ainda é facilmente reproduzível, caso ainda haja interessados no futuro. De qualquer forma, em entrevista ao site “The Japan Times“, o artista disse que até aquele momento ninguém havia demonstrado interesse em adquirir uma réplica.

Recentemente, o artista responsável pela escultura, chamado Keisuke Aiso (na foto), afirmou que a jogou no lixo poucos dias antes dela viralizar, no ano passado. Apesar de ter afirmado que se livrou da escultura, ele ainda preservou o molde original, ou seja, a escultura é facilmente reproduzível.

Enfim, por último é importante destacar, que Keisuke Aiso sempre negou qualquer envolvimento na propagação desse fenômeno pela internet.

O Fenômeno “Momo” Deixou Crianças e Adolescentes Feridos ou Fez com que se Suicidassem?
É importante deixar claro que o “Desafio da Momo”, na prática, nunca existiu. Foi feito um grande alarde durante o ano de 2018 sobre esse assunto, que virou alvo de diversas matérias, reportagens, vídeos de YouTubers dos mais diversos tipos, tanto desmistificando quanto alimentando ainda mais esse boato. Infelizmente, foi disseminado de maneira totalmente alarmista, que crianças e adolescentes estavam sendo atraídos por um usuário chamado “Momo” para realizar uma série de tarefas perigosas, incluindo ataques violentos, automutilação e suicídio.

Infelizmente, foi disseminado de maneira totalmente alarmista, que crianças e adolescentes estavam sendo atraídos por um usuário chamado “Momo” para realizar uma série de tarefas perigosas, incluindo ataques violentos, automutilação e suicídio.

Apesar das alegações de que o fenômeno havia atingido proporções mundiais, o número de queixas comprovadamente verídicas era relativamente pequeno, e nenhum departamento de polícia confirmou, que alguém teria sofrido quaisquer danos físicos como resultado direto disso. A preocupação e a angústia relatadas pelas crianças foram impulsionadas principalmente pelos relatos publicados pela mídia, e não como resultado direto da “Momo”, ou seja, os alertas sobre o suposto fenômeno se tornaram mais prejudiciais do que benéficos, levando a uma espécie de “profecia autorrealizável”, que pode ter encorajado as crianças a procurar material violento nas redes sociais.

Ao fazer uma busca na internet podemos ver inúmeras manchetes tentando atribuir o fenômeno “Momo” a casos de suicídios entre crianças e adolescentes, porém todos os casos que acessamos se tratavam de hipóteses, especulações ou possibilidades, que não foram confirmadas pela polícia.

Verdadeiro ou Falso? O Fenômeno “Momo” Retornou Através de Inserções Durante a Exibição de Vídeos Infantis Através do Aplicativo YouTube Kids?
Até o exato momento da publicação desta postagem podemos dizer que esse suposto retorno é falso! Não encontramos quaisquer evidências concretas, de que as alegações sejam verdadeiras, ou seja, de que realmente existiram vídeos infantis publicados e acessados através do aplicativo “YouTube Kids”, que contivessem inserções maliciosas da “Momo” orientando crianças a se suicidarem. Explicaremos tudo isso direitinho, porque o assunto é bem polêmico.

Vamos tentar traçar inicialmente uma linha cronológica sobre esse suposto retorno do fenômeno “Momo”. Aparentemente, toda essa história teria começado através de um “alerta” publicado em uma página chamada “Love Westhoughton” (dedicada a pequena cidade de Westhoughton, na região da Grande Manchester, na Inglaterra), no Facebook, no dia 17 de fevereiro de 2019. Esse tal “alerta” teria sido enviado para a página por um morador(a)/pai ou mãe, que não quis se identificar. Não encontramos o texto na página do Facebook – provavelmente foi apagado – porém encontramos capturas de tela disponibilizadas publicamente na internet:

Aparentemente, toda essa história teria começado através de um “alerta” publicado em uma página chamada “Love Westhoughton” (dedicada a pequena cidade de Westhoughton, na região da Grande Manchester, na Inglaterra), no Facebook, no dia 17 de fevereiro de 2019.

Essa pessoa que enviou o relato, ou seja, uma evidência puramente anedótica, alegou que a professora de uma escola local onde o filho estudava havia chamado sua atenção, porque o filho havia feito três crianças chorarem ao dizer para elas, que a “Momo” iria visitá-las em seus quartos, à noite, e iria matá-las. Ao conversar com o filho, essa pessoa teria descoberto, que algumas crianças teriam o incitado a procurar pelo termo “momo challenge“. Essa pessoa resolveu pesquisar e encontrou que o tal desafio, que sabemos que nunca existiu, consistia em crianças enviando mensagens para um número e falando com um personagem chamado “Momo”. Esse personagem diria para eles se machucarem, algo que poderia levar ao suicídio devido ao roubo de informações pessoais da criança.

A pessoa também disse que o filho assistiu um vídeo da personagem “Momo”, que mandava ele dizer para todo mundo temer a “Momo” ou então ela o mataria durante o sono. Em nenhum momento essa pessoa disse que o vídeo estava publicado no YouTube ou incluiu quaisquer links ou capturas de tela para provar o que estava dizendo. É simplesmente um relato aleatório em uma página que possui atualmente cerca de 500 seguidores. Porém, isso foi o suficiente para a questionável mídia britânica.

O Caldeirão Britânico
Entre os dia 17 e 19 de fevereiro praticamente ninguém estava se importando com a “Momo”, porém isso começou a mudar a partir de uma notícia divulgada pelo site do jornal “The Manchester Evening News“, no dia 20 de fevereiro. O site simplesmente disseminou um mero relato como se fosse algo que realmente tivesse acontecido, sem sequer verificar pela autenticidade do mesmo. Algo extremamente grave em se tratando de jornalismo, porém comum entre diversos veículos de comunicação do Reino Unido.

Entre os dia 17 e 19 de fevereiro praticamente ninguém estava se importando com a “Momo”, porém isso começou a mudar a partir de uma notícia divulgada pelo site do jornal “The Manchester Evening News”, no dia 20 de fevereiro.

A receita do desastre virtual estava pronta, visto que no dia seguinte começaram a surgir relatos semelhantes na mídia britânica. Sites de tabloides como o “Daily Mail“, “The Sun“, “Daily Mirror” e “Daily Star” começaram a reproduzir relatos de pais, que diziam que seus filhos tinham sido aterrorizados pela “Momo”, porém sem apresentar nenhuma prova sobre isso!

A receita do desastre virtual estava pronta, visto que no dia seguinte começaram a surgir relatos semelhantes na mídia britânica. Sites de tabloides como o “Daily Mail”, “The Sun”, “Daily Mirror” e “Daily Star” começaram a reproduzir relatos de pais, que diziam que seus filhos tinham sido aterrorizados pela “Momo”, porém sem apresentar nenhuma prova sobre isso!

Apesar dos relatos serem diferentes, eles possuíam um mesmo padrão: um pai ou uma mãe alegava, que seu filho(a) viu a Momo em um vídeo do YouTube ou que um número do WhatsApp com a imagem da “Momo” mandou mensagem para ele(a). Esses pais definiam a situação como um “jogo” ou um “desafio”, que incitava seus filhos a cometerem atos violentos, e até a se filmarem enquanto os realizavam. No entanto, nem os relatos propagados pelas redes sociais, nem as próprias notícias forneciam qualquer link ou evidência concreta de que tal conteúdo tivesse sido publicado no YouTube.

A Polícia da Irlanda do Norte Ajudou a Dar Credibilidade a Tais Relatos que Sequer Foram Verificados
No dia 22 de fevereiro, o assunto ganhou a mídia impressa, e no dia 24 de fevereiro adicionaram a “cereja do bolo” de toda essa história: sem qualquer evidência ou prova concreta do que estava ocorrendo, a PSNI (Serviço de Polícia da Irlanda do Norte) emitiu um alerta sobre esse assunto, em sua página oficial no Facebook.

Basicamente, era um alerta direcionado aos pais sobre os perigos, que as crianças poderiam estar expostas. Segundo o site do jornal “Belfast Telegraph“, um porta-voz da polícia chegou a dizer, que o tal desafio estava tendo como principal alvo as crianças da Irlanda do Norte, embora não houvesse um único caso sequer denunciado por parte dos pais ou boletim de ocorrência registrado diretamente na polícia. No comunicado, a polícia chegou a dizer:

“Nosso conselho, como sempre, é supervisionar os jogos que seus filhos jogam e ser extremamente conscientes dos vídeos que estão assistindo no YouTube“

PorMarco FaustinoPublicado em 19 de março de 2019 COMPARTILHE TWEET 85 COMENTÁRIOS

Diversos usuários nos pediram ao longo dos últimos dias para que fizéssemos uma postagem sobre a “Momo”, e sua suposta relação com o aplicativo “YouTube Kids”. Está sendo amplamente divulgado, seja através de sites de revistas, de notícias ou por meio de reportagens de TV, que o fenômeno “Momo” teria retornado de uma forma ainda mais cruel e sádica: incentivando crianças a se matarem, através de orientações inseridas no meio de vídeos inocentes acessados através do aplicativo “YouTube Kids”, destinado a crianças com menos de 13 anos.

Entretanto, será que isso é realmente verdade? Tais inserções macabras foram realmente inseridas maliciosamente em vídeos infantis? Descubra agora, aqui, no E-Farsas!

Entendendo o Fenômeno “Momo”
Se vocês não fazem ideia do que é a “Momo”, fiquem tranquilos! Vamos explicar rapidamente o que é isso para vocês. Bem, a “Momo” surgiu no início de julho de 2018 através de vídeos publicados por adolescentes no YouTube, que tentavam interagir com “alguém” chamado “Momo”. A mesma situação ocorreu no Facebook, através de postagens que incentivavam os usuários a entrarem em contato, por meio de números do WhatsApp, com essa tal “Momo”.

Muitas dessas postagens, no entanto, tinham caráter de corrente, ou seja, pediam para que as pessoas compartilhassem o conteúdo, caso contrário morreriam. É difícil apontar quem foi que começou com toda essa história, visto que o fenômeno “Momo” pode ter começado em um grupo privado no Facebook ou em demais redes sociais.

Bem, a “Momo” surgiu no início de julho de 2018 através de vídeos publicados por adolescentes no YouTube, que tentavam interagir com “alguém” chamado “Momo”. A mesma situação ocorreu no Facebook, através de postagens que incentivavam os usuários a entrarem em contato, por meio de números do WhatsApp, com essa tal “Momo”.

Curiosamente, ao entrar em contato com a “Momo”, muitas vezes “ela” sequer respondia as mensagens. Em outras ocasiões respondia com mensagens genéricas, ameaças aleatórias ou enviando imagens contendo violência gráfica. Já em outros casos, usuários alegaram que a “Momo” tinha capacidade de saber seu nome, endereço e demais dados pessoais. Porém, não temos evidência alguma, que isso realmente ocorreu ou diante de qual situação isso pode ter acontecido. As histórias foram crescendo ao longo do tempo, e houve até quem sugerisse que a “Momo” fosse um projeto japonês visando o roubo de informações de terceiros. No entanto, nunca apontaram uma única evidência ou prova que sustentasse tal alegação.

Assim sendo, podemos dizer, com certa tranquilidade que as interações entre a “Momo” e seus interlocutores não envolviam nada de paranormal ou extraordinário. Além disso, a teoria que a “Momo” seria um hacker ou um computador destinado a coletar informações é totalmente infundada. Se quiserem saber maiores informações recomendo fortemente, que assistam a um vídeo do do canal “Fábrica de Noobs”, no YouTube, chamado: “Desmistificando: Momo, o perfil amaldiçoado do WhatsApp“.

A Origem da Imagem
A imagem sinistra associada a “Momo” era tão somente uma escultura de 1 metro de altura, originalmente criada em 2016, que foi apresentada em uma galeria de arte em Tóquio, chamada “Vanilla Gallery“, no distrito de Ginza, em uma exposição sobre fantasmas e espectros.

A inspiração veio de uma lenda japonesa em que uma mulher morre no parto e retorna para assombrar os vivos ou algo assim. A escultura foi chamada de “Mother Bird” (“Mãe-Pássaro”, em uma tradução livre para o português), e consiste em uma cabeça com traços humanos, e apoiada em pés de pássaro. O material usado na criação foi apenas borracha e óleos naturais. Com o tempo, a escultura foi se deteriorando.

A imagem sinistra associada a “Momo” era tão somente uma escultura de 1 metro de altura, originalmente criada em 2016, que foi apresentada em uma galeria de arte em Tóquio, chamada “Vanilla Gallery”, no distrito de Ginza, em uma exposição sobre fantasmas e espectros.

Por outro lado, naquela mesma época, também começaram a viralizar vídeos onde mostravam a “Momo” como se estivesse “viva”. No entanto, tais vídeos são falsos, visto que são produtos de manipulação digital através de aplicativos para celular, assim como o Snapchat (algo conhecido como “face swap“).

Recentemente, o artista responsável pela escultura, chamado Keisuke Aiso, afirmou que a jogou no lixo poucos dias antes dela viralizar, no ano passado. Apesar de ter afirmado que se livrou da escultura, ele ainda preservou o molde original, ou seja, a escultura ainda é facilmente reproduzível, caso ainda haja interessados no futuro. De qualquer forma, em entrevista ao site “The Japan Times“, o artista disse que até aquele momento ninguém havia demonstrado interesse em adquirir uma réplica.

Recentemente, o artista responsável pela escultura, chamado Keisuke Aiso (na foto), afirmou que a jogou no lixo poucos dias antes dela viralizar, no ano passado. Apesar de ter afirmado que se livrou da escultura, ele ainda preservou o molde original, ou seja, a escultura é facilmente reproduzível.

Enfim, por último é importante destacar, que Keisuke Aiso sempre negou qualquer envolvimento na propagação desse fenômeno pela internet.

O Fenômeno “Momo” Deixou Crianças e Adolescentes Feridos ou Fez com que se Suicidassem?
É importante deixar claro que o “Desafio da Momo”, na prática, nunca existiu. Foi feito um grande alarde durante o ano de 2018 sobre esse assunto, que virou alvo de diversas matérias, reportagens, vídeos de YouTubers dos mais diversos tipos, tanto desmistificando quanto alimentando ainda mais esse boato. Infelizmente, foi disseminado de maneira totalmente alarmista, que crianças e adolescentes estavam sendo atraídos por um usuário chamado “Momo” para realizar uma série de tarefas perigosas, incluindo ataques violentos, automutilação e suicídio.

Infelizmente, foi disseminado de maneira totalmente alarmista, que crianças e adolescentes estavam sendo atraídos por um usuário chamado “Momo” para realizar uma série de tarefas perigosas, incluindo ataques violentos, automutilação e suicídio.

Apesar das alegações de que o fenômeno havia atingido proporções mundiais, o número de queixas comprovadamente verídicas era relativamente pequeno, e nenhum departamento de polícia confirmou, que alguém teria sofrido quaisquer danos físicos como resultado direto disso. A preocupação e a angústia relatadas pelas crianças foram impulsionadas principalmente pelos relatos publicados pela mídia, e não como resultado direto da “Momo”, ou seja, os alertas sobre o suposto fenômeno se tornaram mais prejudiciais do que benéficos, levando a uma espécie de “profecia autorrealizável”, que pode ter encorajado as crianças a procurar material violento nas redes sociais.

Ao fazer uma busca na internet podemos ver inúmeras manchetes tentando atribuir o fenômeno “Momo” a casos de suicídios entre crianças e adolescentes, porém todos os casos que acessamos se tratavam de hipóteses, especulações ou possibilidades, que não foram confirmadas pela polícia.

Verdadeiro ou Falso? O Fenômeno “Momo” Retornou Através de Inserções Durante a Exibição de Vídeos Infantis Através do Aplicativo YouTube Kids?
Até o exato momento da publicação desta postagem podemos dizer que esse suposto retorno é falso! Não encontramos quaisquer evidências concretas, de que as alegações sejam verdadeiras, ou seja, de que realmente existiram vídeos infantis publicados e acessados através do aplicativo “YouTube Kids”, que contivessem inserções maliciosas da “Momo” orientando crianças a se suicidarem. Explicaremos tudo isso direitinho, porque o assunto é bem polêmico.

Vamos tentar traçar inicialmente uma linha cronológica sobre esse suposto retorno do fenômeno “Momo”. Aparentemente, toda essa história teria começado através de um “alerta” publicado em uma página chamada “Love Westhoughton” (dedicada a pequena cidade de Westhoughton, na região da Grande Manchester, na Inglaterra), no Facebook, no dia 17 de fevereiro de 2019. Esse tal “alerta” teria sido enviado para a página por um morador(a)/pai ou mãe, que não quis se identificar. Não encontramos o texto na página do Facebook – provavelmente foi apagado – porém encontramos capturas de tela disponibilizadas publicamente na internet:

Aparentemente, toda essa história teria começado através de um “alerta” publicado em uma página chamada “Love Westhoughton” (dedicada a pequena cidade de Westhoughton, na região da Grande Manchester, na Inglaterra), no Facebook, no dia 17 de fevereiro de 2019.

Essa pessoa que enviou o relato, ou seja, uma evidência puramente anedótica, alegou que a professora de uma escola local onde o filho estudava havia chamado sua atenção, porque o filho havia feito três crianças chorarem ao dizer para elas, que a “Momo” iria visitá-las em seus quartos, à noite, e iria matá-las. Ao conversar com o filho, essa pessoa teria descoberto, que algumas crianças teriam o incitado a procurar pelo termo “momo challenge“. Essa pessoa resolveu pesquisar e encontrou que o tal desafio, que sabemos que nunca existiu, consistia em crianças enviando mensagens para um número e falando com um personagem chamado “Momo”. Esse personagem diria para eles se machucarem, algo que poderia levar ao suicídio devido ao roubo de informações pessoais da criança.

A pessoa também disse que o filho assistiu um vídeo da personagem “Momo”, que mandava ele dizer para todo mundo temer a “Momo” ou então ela o mataria durante o sono. Em nenhum momento essa pessoa disse que o vídeo estava publicado no YouTube ou incluiu quaisquer links ou capturas de tela para provar o que estava dizendo. É simplesmente um relato aleatório em uma página que possui atualmente cerca de 500 seguidores. Porém, isso foi o suficiente para a questionável mídia britânica.

O Caldeirão Britânico
Entre os dia 17 e 19 de fevereiro praticamente ninguém estava se importando com a “Momo”, porém isso começou a mudar a partir de uma notícia divulgada pelo site do jornal “The Manchester Evening News“, no dia 20 de fevereiro. O site simplesmente disseminou um mero relato como se fosse algo que realmente tivesse acontecido, sem sequer verificar pela autenticidade do mesmo. Algo extremamente grave em se tratando de jornalismo, porém comum entre diversos veículos de comunicação do Reino Unido.

Entre os dia 17 e 19 de fevereiro praticamente ninguém estava se importando com a “Momo”, porém isso começou a mudar a partir de uma notícia divulgada pelo site do jornal “The Manchester Evening News”, no dia 20 de fevereiro.

A receita do desastre virtual estava pronta, visto que no dia seguinte começaram a surgir relatos semelhantes na mídia britânica. Sites de tabloides como o “Daily Mail“, “The Sun“, “Daily Mirror” e “Daily Star” começaram a reproduzir relatos de pais, que diziam que seus filhos tinham sido aterrorizados pela “Momo”, porém sem apresentar nenhuma prova sobre isso!

A receita do desastre virtual estava pronta, visto que no dia seguinte começaram a surgir relatos semelhantes na mídia britânica. Sites de tabloides como o “Daily Mail”, “The Sun”, “Daily Mirror” e “Daily Star” começaram a reproduzir relatos de pais, que diziam que seus filhos tinham sido aterrorizados pela “Momo”, porém sem apresentar nenhuma prova sobre isso!

Apesar dos relatos serem diferentes, eles possuíam um mesmo padrão: um pai ou uma mãe alegava, que seu filho(a) viu a Momo em um vídeo do YouTube ou que um número do WhatsApp com a imagem da “Momo” mandou mensagem para ele(a). Esses pais definiam a situação como um “jogo” ou um “desafio”, que incitava seus filhos a cometerem atos violentos, e até a se filmarem enquanto os realizavam. No entanto, nem os relatos propagados pelas redes sociais, nem as próprias notícias forneciam qualquer link ou evidência concreta de que tal conteúdo tivesse sido publicado no YouTube.

A Polícia da Irlanda do Norte Ajudou a Dar Credibilidade a Tais Relatos que Sequer Foram Verificados
No dia 22 de fevereiro, o assunto ganhou a mídia impressa, e no dia 24 de fevereiro adicionaram a “cereja do bolo” de toda essa história: sem qualquer evidência ou prova concreta do que estava ocorrendo, a PSNI (Serviço de Polícia da Irlanda do Norte) emitiu um alerta sobre esse assunto, em sua página oficial no Facebook.

Basicamente, era um alerta direcionado aos pais sobre os perigos, que as crianças poderiam estar expostas. Segundo o site do jornal “Belfast Telegraph“, um porta-voz da polícia chegou a dizer, que o tal desafio estava tendo como principal alvo as crianças da Irlanda do Norte, embora não houvesse um único caso sequer denunciado por parte dos pais ou boletim de ocorrência registrado diretamente na polícia. No comunicado, a polícia chegou a dizer:

“Nosso conselho, como sempre, é supervisionar os jogos que seus filhos jogam e ser extremamente conscientes dos vídeos que estão assistindo no YouTube“

No comunicado, a polícia chegou a dizer que: “Nosso conselho, como sempre, é supervisionar os jogos que seus filhos jogam e ser extremamente conscientes dos vídeos que estão assistindo no YouTube”.

Entretanto, foi justamente esse comunicado, que estimulou definitivamente as buscas por esse assunto, ressurgindo com o fenômeno “Momo”, conforme podemos ver no gráfico abaixo, que foi elaborado pelo britânico “The Guardian”:

Gráfico elaborado pelo britânico “The Guardian” mostrando a recente escalada de viralização sobre a “Momo”

Escolas na Reino Unido Também Ajudaram a dar Credibilidade a Tais Relatos
No dia 26 de fevereiro, novamente sem oferecer quaisquer provas, a “Northcott School Hull?”, uma escola na cidade inglesa de Hull, fez a seguinte publicação através do Twitter:

“IMPORTANTE: estamos cientes de que alguns desafios sórdidos (Desafio da ‘Momo’) estão invadindo os programas infantis. Os desafios aparecem no meio do YouTube Kids, Fortnite, e Peppa Pig para evitar a detecção por adultos. Por favor, estejam vigilante com seus filhos usando TI. As imagens são muito perturbadoras“

No dia 26 de fevereiro, novamente sem oferecer quaisquer provas, a “Northcott School Hull?”, uma escola na cidade inglesa de Hull, fez uma publicação totalmente alarmista através do Twitter.

A “Ash Field Academy“, em Leicester, também tuitou um aviso aos pais, e a “Haslingden Primary School“, em Rossendale, compartilhou uma mensagem semelhante no Facebook.

A Tentativa de Apagar o Incêndio
Um dos poucos veículos que tentaram apagar o incêndio, que estava sendo propagado pela mídia, departamentos de polícia e escolas britânicas foi o “The Guardian”. Eles fizeram questão de ressaltar a posição de instituições de caridade, assim como a Samaritanos e a NSPCC (Sociedade Nacional para a Prevenção da Crueldade às Crianças). Ambas as instituições descartaram os relatos viralizados nas redes sociais, uma vez que não havia nenhuma evidência de que o tal, e inexistente “Desafio da Momo”, tivesse causado qualquer dano físico em crianças e adolescentes. A histeria propagada pela mídia, no entanto, poderia estar colocando pessoas vulneráveis em risco, encorajando-as a pensar em automutilação.

O “Safer Internet Center” do Reino Unido, uma organização que visa promover o uso seguro e responsável da tecnologia para os jovens, chamou os relatos de “fake news” (“notícias falsas”). A NSPCC disse que não havia evidências confirmadas de que o fenômeno estivesse representando uma ameaça para as crianças britânicas, e disse que havia recebido mais telefonemas sobre isso de membros da mídia do que pais preocupados.

Um porta-voz dos Samaritanos foi igualmente cético, dizendo: “Essas histórias sendo altamente divulgadas, e iniciando pânico, significa que as pessoas vulneráveis ??ficam sabendo da história, e isso cria um risco“. Eles recomendaram que os meios de comunicação seguissem suas diretrizes sobre reportar suicídio, e sugeriram que a cobertura da imprensa estivesse “aumentando o risco de dano“.

Ambas as instituições descartaram os relatos viralizados nas redes sociais, uma vez que não havia nenhuma evidência de que o tal, e inexistente “Desafio da Momo”, tivesse causado qualquer dano físico em crianças e adolescentes. A histeria propagada pela mídia, no entanto, poderia estar colocando pessoas vulneráveis em risco, encorajando-as a pensar em automutilação.

“Atualmente, não estamos cientes de qualquer evidência verificada neste país ou qualquer outro, ligando Momo ao suicídio“, disse o porta-voz dos samaritanos. “O mais importante é que os pais e as pessoas que trabalham com crianças se concentrem em diretrizes gerais de segurança on-line“, completou.

Defensores da segurança infantil disseram, que a história se espalhou devido a preocupações legítimas sobre segurança infantil online, o compartilhamento de material não verificado em grupos locais do Facebook, e comentários oficiais das forças policiais e escolas britânicas, baseadas em poucas evidências concretas. Embora algumas pessoas tenham se apressado para compartilhar mensagens alertando sobre o risco da “Momo”, havia temores de que elas tivessem exagerado na dose, ou seja, assustando as crianças, espalhando as imagens, e fazendo uma perigosa associação com a automutilação. Complicado!

Entretanto, o “The Guardian” não teve força para impedir a viralização que iria ocorrer nos Estados Unidos e aqui no Brasil.

A Viralização nos Estados Unidos e a Participação de uma Celebridade:

Não demorou muito tempo para o suposto ressurgimento da “Momo” viralizasse nos Estados Unidos e no Brasil. Nos Estados Unidos, um exemplo claro disso veio através de uma matéria publicada pela “CBS News“, falando basicamente sobre o que estava acontecendo na Inglaterra, no dia 27 de fevereiro, além de um vídeo publicado no YouTube, na própria conta da emissora:

“Um personagem assustador chamado ‘Momo’ está espalhando mensagens perigosas em vídeos no YouTube Kids e em outros sites infantis, e pais e escolas estão preocupados, relata Ginna Roe, da KUTV“.

A curta reportagem promovida pela “CBS News” foi assistida mais de 3,6 milhões de vezes, e apresentou um desse vídeos relacionados a “Momo”, que supostamente estariam sendo inseridos em outros com conteúdo infantil, no YouTube. Porém, há um gravíssimo problema nessa reportagem. O vídeo é reproduzido diretamente na tela do celular, mas não indica que fizesse parte de um outro vídeo ou muito menos que estivesse hospedado no YouTube.

Conclusão:
Até o exato momento da publicação desta postagem podemos dizer que esse suposto retorno do fenômeno “Momo” é falso! Não encontramos quaisquer evidências concretas, de que as alegações sejam verdadeiras, ou seja, de que realmente existiram vídeos infantis publicados e acessados através do aplicativo “YouTube Kids”, que contivessem inserções maliciosas da “Momo” orientando crianças a se suicidarem no período entre o início de fevereiro e início de março deste ano.
A prática predatória de boa parte da mídia em querer lucrar com esse assunto, sem verificar devidamente cada caso, por sua vez, expôs milhões de crianças ao redor do mundo a, talvez, se interessarem por esse tipo de conteúdo e irem atrás de tais vídeos. Algo que provavelmente teria um curto período de vida, e que poderia ser resolvido ao adotar medidas padrões de segurança digital voltadas para crianças e adolescentes, acabou tomando uma proporção muito maior do que o esperado. Resumindo? Boa parte da mídia, infelizmente, estimulou a viralização de vídeos relacionados a Momo, não o contrário. Aliás, não seria de se estranhar caso, a partir de toda essa viralização promovida, que surgissem situações realmente verídicas ao longo do tempo. Vamos torcer, é claro, para que isso não aconteça.
Por fim, é importante ressaltar que, independentemente de ser ou não falso, é necessário que os pais acompanhem de perto o que seus filhos fazem na internet, e também parem de fazer parte de toda essa histeria coletiva, que não colabora em nada para estancar os perigos inerentes as redes sociais. Não é possível que os pais joguem a responsabilidade da criação de seus filhos ao se apoiarem na reação inflamada de algumas pessoas, que surgem em grupos e páginas na internet, e muito menos do que é propagado nas redes sociais de forma deliberada, anônima e que beira a clandestinidade. É preciso parar, sentar, ter conversas sinceras, educar, e ter acompanhamento constante. Sinceramente, é hora dos pais pararem de olhar para a tela dos próprios celulares e agirem, simplesmente, como pais.

Posted in Momo Invadiu O Youtube Kids? at março 24th, 2019. No Comments.

O jeito correto de comer abacaxi é de gomo em gomo? verdade Ou Mentira?

Vídeo compartilhado nas redes sociais mostra o que seria a forma correta e mais fácil de se consumir o abacaxi, mas é possível comer abacaxi de gomo em gomo?

O vídeo tem poucos segundos e surgiu nas redes sociais na primeira semana de março de 2019. De acordo com o vídeo, a maneira correta e mais fácil de se comer abacaxi seria retirando gomos do fruto!

Em apenas uma das publicações feitas no Twitter, o filminho já tinha sido visto mais de 65 mil vezes. Já em uma das postagens feitas no Facebook, a “descoberta” já tinha mais de 240 mil visualizações!

O vídeo tem poucos segundos e surgiu nas redes sociais na primeira semana de março de 2019. De acordo com o vídeo, a maneira correta e mais fácil de se comer abacaxi seria retirando gomos do fruto!

Verdade ou mentira?

O vídeo é real, mas não dá pra fazer isso com qualquer abacaxi!

O fruto mostrado no vídeo é, na verdade, uma variedade dessa infrutescência chamada Gomo de Mel ou “Abacaxi-de-gomo”. De origem chinesa, o fruto passou a ser desenvolvido aqui no Brasil em 1992 e liberado para agricultores brasileiros pelo Instituto Agronômico em 2005.

O fruto, além de mais doce que o abacaxi tradicional, ainda trazia a promessa de um maior lucro ao produtor.

E o outros tipos de abacaxi?
Há várias maneiras simples e criativas de se cortar um abacaxi (que não seja o de gomo).

Conclusão
O vídeo mostrando o “jeito correto” de se comer abacaxi é verdadeiro, mas isso só é possível de se fazer com o abacaxi de gomo!

Posted in O Jeito Correto De Comer Abacaxi at março 23rd, 2019. No Comments.

Vídeo mostra que a Suíça é tão organizada que até as enchentes são limpas! Será? Verdade Ou Mentira?

Vídeo compartilhado nas redes sociais mostra que a Suíça é tão limpa e organizada que, quando há enchentes, as ruas continuam trafegáveis, sem barro e/ou lixo! Será verdade?

O filminho começou a se espalhar com força através de compartilhamentos nas redes sociais na última semana de novembro de 2018 e mostra carros transitando em ruas alagadas no centro de alguma cidade. O que chama a atenção nas imagens é que os automóveis parecem se mover em águas cristalinas!

O texto que se espalhou juntamente com o vídeo afirma que, “na Suíça, as ruas são tão limpas que você não vê barro e lixo na água da enchente”…

Verdade ou mentira?

O vídeo é real, mas as alegações que o acompanham são falsas!

As imagens foram capturadas, na verdade, na cidade de Boston (Massachusetts, EUA) – em março de 2018, como podemos ver no vídeo abaixo:

Conclusão

O vídeo que mostra carros passando em ruas inundadas com águas límpidas é real, mas foi filmado em Boston, após uma grande tempestade inundar parte da cidade com água do mar!

Posted in Padão at fevereiro 6th, 2019. No Comments.

O Neto do Raul Seixas cantou igual ao avô no programa Raul Gil? Verdade Ou Mentira?

É verdade que o jovem que aparece em vídeo cantando “Gita” no programa Raul Gil é neto do cantor Raul Seixas?

O vídeo tem pouco mais de 4 minutos de duração e começou a se espalhar através de grupos do WhatsApp no final de dezembro de 2018. Nele podemos ver um jovem talentoso – cuja voz se parece muito com a do “Maluco Beleza” Raul Seixas – cantando “Gita”.

O texto que acompanha a apresentação do rapazinho afirma que o cantor seria neto do Raul Seixas, o que explicaria (em parte) a semelhança na voz!


Será que esse rapaz é mesmo neto de Raul Seixas? O vídeo tem pouco mais de 4 minutos de duração e começou a se espalhar através de grupos do WhatsApp no final de dezembro de 2018. Nele podemos ver um jovem talentoso – cuja voz se parece muito com a do “Maluco Beleza” Raul Seixas – cantando “Gita”.

Verdade ou mentira?

O jovem cantor se chama Rodrigo Murbach e, apesar da sua voz ser muito parecida com a do falecido Raul Seixas, não há nenhum parentesco entre os dois.

O vídeo foi publicado no canal oficial do programa Raul Gil no YouTube em setembro de 2018 e, em nenhum momento é afirmado que Rodrigo é neto do Maluco Beleza.

Uma busca por “Netos do Raul Seixas” no Google e descobrimos que o Raulzito teve três filhas: Scarlet Vaquer Seixas, Vivian Costa Seixas e Simone Andréa Wisner Seixas.

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Gilmar Lopes Publicado em 29 de dezembro de 2018

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É verdade que o jovem que aparece em vídeo cantando “Gita” no programa Raul Gil é neto do cantor Raul Seixas?

O vídeo tem pouco mais de 4 minutos de duração e começou a se espalhar através de grupos do WhatsApp no final de dezembro de 2018. Nele podemos ver um jovem talentoso – cuja voz se parece muito com a do “Maluco Beleza” Raul Seixas – cantando “Gita”.

O texto que acompanha a apresentação do rapazinho afirma que o cantor seria neto do Raul Seixas, o que explicaria (em parte) a semelhança na voz!PUBLICIDADE

Será que esse rapaz é mesmo neto de Raul Seixas?

Verdade ou mentira?

O jovem cantor se chama Rodrigo Murbach e, apesar da sua voz ser muito parecida com a do falecido Raul Seixas, não há nenhum parentesco entre os dois.

O vídeo foi publicado no canal oficial do programa Raul Gil no YouTube em setembro de 2018 e, em nenhum momento é afirmado que Rodrigo é neto do Maluco Beleza.

Conclusão

O menino que apareceu no programa Raul Gil cantando Gita com uma voz muito parecida com a do Raul Seixas não é neto do roqueiro baiano!  

Uma busca por “Netos do Raul Seixas” no Google e descobrimos que o Raulzito teve três filhas: Scarlet Vaquer Seixas, Vivian Costa Seixas e Simone Andréa Wisner Seixas.


Reprodução/Google

Scarlet vive em uma fazendo no Alabama (EUA) e nessa entrevista ao Portal R7, ela afirma ser mãe de dois filhos (que moram com ela nos Estados Unidos).

Vivian é a mais nova das três, nasceu em 1981 e é produtora musical e DJ, escolhida como melhor DJ feminina de Deep House e Nu Disco pela DJ Sound Awards 2015. Não há informações sobre filhos.

Quanto à Simone, não encontramos muita informação sobre ela na web. O que sabemos é que essa filha do Raul também mora nos Estados Unidos e que ela trabalha com finanças (segundo que diz a irmã Scarlet).

Rodrigo Murbach

O jovem paranaense Rodrigo Murbach tem 17 anos e é – como dá pra perceber – muito fã de Raul Seixas. Nessa reportagem do Portal Terra Roxa, podemos conhecer mais sobre esse talento:

Posted in Padão at fevereiro 6th, 2019. No Comments.