Check-ups previnem doenças? Mito ou realidade

Um estudo dinamarquês descobriu que check-ups médicos anuais não ajudam a prevenir doenças ou identificá-las precocemente para melhorar as chances de tratamento. Na verdade, podem simplesmente causar estresse extra.

O estudo do Centro Nórdico Cochrane, em Copenhague, na Dinamarca, se baseou na análise de 14 pesquisas de longo prazo (com acompanhamento médio de nove anos) envolvendo 182.880 pessoas (incluindo 11.940 mortes), dentre as quais algumas fizeram exames de saúde gerais regularmente e outras não.

Conclusão: nove dos estudos não encontrou diferenças no número de mortes durante o período de estudo entre os grupos, incluindo mortes por doenças cardíacas ou câncer, duas das condições mais comumente avaliadas durante esses exames gerais.

No geral, a análise não encontrou nenhuma diferença em internações hospitalares, encaminhamentos especializados, visitas adicionais ao médico, licenças de saúde, etc, entre os grupos. Isso sugere que as pessoas que fizeram exames médicos anuais não tiveram uma melhor taxa de diagnóstico de doenças, que é o que se esperaria.

No máximo, um dos estudos encontrou um aumento de 20% nos diagnósticos entre aqueles que fizeram exames de saúde mais frequentes.

Alguns outros estudos registraram um aumento no número de participantes que tomavam medicamentos para hipertensão, por exemplo (que é um fator que influencia doenças cardíacas), mas o uso desses medicamentos não se traduziu em melhores resultados de saúde.

“A partir dessas evidências, concluímos que convidar os pacientes a fazer exames de saúde gerais é provavelmente pouco benéfico”, disse o pesquisador Lasse Krogsbøll.

Os resultados não significam que a prevenção é inútil, só que a oferta de exames para a população geral de adultos não parece acrescentar benefícios. Além disso, potenciais malefícios são o sobrediagnóstico (diagnóstico e tratamento sem benefício de sobrevivência) e a transformação de pessoas saudáveis em pacientes, o que pode afetar a forma como eles se veem.

Paradoxo

Historicamente, exames gerais incluem exame físico, exame de sangue e às vezes cardiogramas. Fazer check-ups regulares deveria ajudar as pessoas a descobrir doenças em seu estágio inicial, melhorando sua expectativa de vida.
Aparentemente, isso não acontece. Por quê?

Em um exemplo clássico, muitos estudos já mostraram que mamografias regulares podem não ser benéficas. Muitas vezes os números de falsos positivos são significativos e, no final, ao invés de detectar câncer de mama, os exames só causam tensão física e emocional. Tanto que médicos e grupos de saúde chegam a recomendar que as mulheres esperem até a idade de 50 (não 40) para fazer mamografias anuais.

Essa recomendação não serve para aconselhar médicos a interromperem exames se eles acreditam que um paciente tem um problema de saúde, mas sim que check-ups sistemáticos podem não fazer sentido.

Exames específicos, não gerais

Segundo cientistas, é muito melhor que o médico passe mais tempo com o paciente, descobrindo seu estilo de vida, histórico familiar, condições de saúde, para pedir exames específicos para doenças que os pacientes podem estar em verdadeiro risco.

Inicialmente, isso pode exigir um investimento maior de recursos, mas, no futuro, pode significar menos gastos (já que exames regulares também custam muito aos bolsos de órgãos públicos e privados de saúde, e muitas vezes se mostram desnecessários).

Outro problema é que as pessoas com tendência a se submeter a exames regulares de saúde já são mais propensas a cuidarem da sua saúde, então não são as que se beneficiariam mais de exames anuais.

Especialistas sugerem que os profissionais de saúde devem se concentrar em ver o paciente mais vezes e pedir testes direcionados para fatores de risco específicos de acordo com sua idade, sexo, histórico, etc. [CBC, BBC, CNN]

Posted in Padão at outubro 22nd, 2012. No Comments.

Saúde dos dentes – Mitos sobre escova de dente, fio dental, escovação e limpeza bucal

À medida que saem novos estudos sobre tratamento e prevenções de doenças, a conscientização sobre saúde bucal cresce. Muitas pessoas seguem à risca sua rotina de higiene diária. Acabam de comer e logo vão escovar os dentes para garantir que não sejam devorados pelas cáries. Claro que é preciso caprichar na quantidade de pasta de dentes, afinal, quanto mais, melhor. E para fechar com chave de ouro a escova precisa ter as cerdas bem duras para limpar de verdade.

Caso você tenha se identificado com esse passo a passo, saiba que pelo menos três detalhes fazem toda a diferença para garantir um sorriso saudável. As dúvidas vão muito além da escovação, como enxaguante bucal, cremes dentais clareadores, alimentos que podem prejudicar os dentes.

Para esclarece de uma vez por todas os mitos e verdade em torno da saúde bucal o cirurgião-dentista, Hugo Lewgoy, professor da Uniban, selecionou algumas dúvidas mais frequentes dos pacientes. “Alguns detalhes imprescindíveis podem prevenir ou erradicar a cárie e evitar outras doenças periodontais (que afetam as gengivas),” diz Lewgoy.

Escova dura limpa melhor

Mito. Escovas com cerdas duras agridem aos dentes e a gengiva. A escova mais indicada deve ser ultramacia e com grande quantidade de cerdas, que limpam melhor sem agredir o esmalte dos dentes e a gengiva.

Escovar os dentes imediatamente logo após as refeições

Mito. Deve-se esperar, no mínimo, 30 minutos para escovar os dentes. É o tempo necessário para que a saliva possa agir e neutralizar o Ph dos alimentos e bebidas. O café, o vinho, o refrigerante e o suco de laranja, por exemplo, têm pH inferior a 5,0. Portanto, são ácidos e causam erosão, ou seja, perda da estrutura dental (cálcio).

Usar grande quantidade de pasta dental

Mito. A escova com pasta dental desgasta mais o esmalte do que a escova sem pasta. Ela, na verdade, é desnecessária. No entanto, caso seja utilizada, deve-se usar uma dose pequena, como o tamanho de uma ervilha, por exemplo.

É necessário escovar a gengiva e a língua

Verdade. Desde que seja com uma escova ultramacia para não causar uma retração gengival. Deve-se passar a escova 50% sobre a gengiva e 50% sobre a estrutura dental, em um ângulo de 45º. A língua também deve ser higienizada, pois é nesta região que as bactérias ficam alojadas. A higienização deve ser feita diariamente.

A higienização noturna é a mais importante

Verdade. À noite, quando a salivação diminui, deve-se fazer a escovação mais minuciosa, pelo menos por 10 minutos. No entanto, a língua é o melhor sensor para saber quanto tempo deve-se escovar os dentes. Deve-se passá-la em todos os dentes para sentir qual ponto falta fazer a higienização.

A escova interdental é mais eficiente do que o fio dental

Verdade. O fio é bom para remover detrito alimentar fibroso, como uma carne, por exemplo. Contudo, ele não limpa a região côncava entre os dentes. Por isso, deve-se usar a interdental, pelo menos uma vez ao dia.

Posted in da Boca, do Dentes, Mitos, Saúde, Verdade at setembro 12th, 2012. No Comments.

Mitos e verdades sobre a caspa um mal que atinge 40% dos brasileiros

Lavar a cabeça diariamente ajuda na remoção de agentes poluidores

Embora o problema esteja associado à predisposição genética, há várias opções eficazes de tratamento.

O Brasil é o país da América Latina com maior incidência de caspa, com cerca de 40% dos brasileiros sofrendo do problema. Desencadeada por diversos fatores, alguns ainda desconhecidos, a doença ainda não tem cura e, segundo a dermatologista Denise Steiner, costuma trazer, inclusive, problemas de comportamento.

— A caspa é um mal que, além de trazer transtornos relacionados à saúde, como irritações e coceiras no couro cabeludo, interfere no comportamento socioemocional do indivíduo, sendo muitas vezes erroneamente associada à falta de higiene — diz.

Existe muito preconceito associado à condição, além da falta de informação que inibe as pessoas de buscarem ajuda especializada, quando necessário. Quanto mais bem informada sobre a caspa a população estiver, maiores serão suas chances de prevenir e combater o problema.

— A prevenção e o controle da caspa podem ser conseguidos com o uso regular de xampu e condicionador específicos para esse fim — complementa a dermatologista.

Confira alguns mitos e verdades sobre a caspa:

1) Lavar a cabeça todos os dias pode causar caspa. MITO.

Apesar de a caspa ser um distúrbio conhecido há anos, suas causas não são 100% claras. Os especialistas observaram, porém, três fatores principais que podem facilitar a presença da doença, como: suscetibilidade genética (ou seja, uma tendência congênita de a pele ter uma resposta inflamatória no couro cabeludo), sebo (óleos presentes naturalmente e que servem de “alimento” ao fungo causador da caspa) e o fungo propriamente dito, o Malassezia globosa, que se desenvolve nas condições favoráveis.

Segundo a dermatologista Denise Steiner, alem dessas, outras condições prováveis para desencadear o aparecimento da caspa são alterações hormonais, estresse, clima seco, e mudanças bruscas de temperatura.

— No entanto, lavar a cabeça diariamente ajuda na remoção de agentes poluidores e da oleosidade, fatores que contribuem para o surgimento da caspa. Por isso a recomendação é que as pessoas evitem tomar banhos muito quentes e enxuguem-se bem antes de se vestir, pois a umidade facilita o desenvolvimento do problema — afirma.

2) Escova progressiva pode provocar o surgimento da caspa. MITO.

Não. Na opinião de Denise, algumas pessoas podem apresentar irritação no couro cabeludo, provocada pelo uso do produto. Essa irritação causa descamação da região, que pode ser confundida com a caspa. O couro cabeludo também pode inflamar, porque a irritação, a vermelhidão ou a coceira podem diminuir a resistência da pessoa, levando a um processo inflamatório.

3) A caspa é sazonal. DEPENDE.

Estudos clínicos têm mostrado que, nas pessoas que sofrem do problema, tanto a presença das escamas quanto a do fungo, que contribui para a piora da caspa, são constantes durante o ano todo. Na verdade, onde o ar é frio e seco, os flocos de caspa parecem mais brancos (por isso, mais aparentes). No entanto, a maioria dos casos são relatados durante as estações mais quentes, com a proliferação do fungo. Por isso é importante que a pessoa mantenha o tratamento anticaspa durante o ano todo.

4) Os homens têm mais propensão à caspa que as mulheres. FALTA COMPROVAÇÃO CIENTÍFICA.

Temos a impressão de que a caspa acomete muito mais os homens do que as mulheres. Mas as causas da caspa estão associadas à suscetibilidade genética (que favore uma resposta inflamatória ao ácido oleico), à produção de sebo (óleos presentes naturalmente e que servem de “alimento” ao fungo provocador da caspa) e ao fungo Malassezia globosa, que se desenvolve nas condições favoráveis. Não existe comprovação científica de que esses fatores sejam mais prevalentes em homens do que em mulheres.

5) A caspa pode ser combatida simplesmente com o uso de xampus. DEPENDE.

De acordo com Denise Steiner, isso depende do grau de intensidade da doença. Quadros mais leves podem ser tratados com o uso de xampus e condicionadores anticaspa com sucesso. Em casos mais avançados, é essencial a consulta a um especialista, para que ele avalie e recomende o melhor tratamento para combater o problema.

6) A caspa só aparece em adultos. MITO.

Na verdade, antes da puberdade é menos provável o surgimento da caspa.

— O mais comum é o ressecamento do couro cabeludo, que pode provocar descamação — afirma a médica.

Em geral, a caspa está associada à produção hormonal. Denise explica que os bebês podem tê-la porque a mãe pode passar hormônio para eles através da placenta. É importante consultar um médico, se a mãe perceber que a criança está produzindo escamas visíveis em quantidade razoável.

Mas é na puberdade que a produção de sebo começa com intensidade.

— Nas pessoas predispostas à caspa, essa condição pode levar ao surgimento da doença — esclarece.

Nessa fase é essencial controlar a proliferação do fungo Malazzesia globosa.

7) Pessoas com cabelo oleoso têm maior probabilidade de desenvolver o problema. VERDADE.

O cabelo oleoso, por produzir uma quantidade maior de óleo, é propício para o aparecimento da doença (a proliferação do fungo Malassezia globosa).

— Ainda que o problema esteja associado ao couro cabeludo oleoso, indivíduos com o cabelo seco podem ter caspa quando houver predisposição genética e forem submetidos a estresse, uso de remédios, entre outros fatores — diz.

De acordo com a médica, o que geralmente essas pessoas apresentam é a descamação do couro cabeludo devido ao ressecamento, não estando associada ao Malassezia globosa.

8) A falta de higiene pode desencadear a condição. MITO.

Segundo Denise, a falta de higiene não é um fator condicionante para que apareça a caspa.

— No entanto, a falta de higiene pode estimular a produção de oleosidade, um dos principais fatores associados ao desenvolvimento da doença — aponta.

9) Caspa e dermatite seborreica são a mesma coisa. MITO.

A caspa é uma manifestação mínima da dermatite seborreica, de acordo com a dermatologista. Porém ambas as condições têm algo em comum: o fungo Malazzesia globosa, independentemente de a doença ser de intensidade leve ou severa. A dermatite seborreica, às vezes, vem acompanhada de eritema e tem sintomas mais intensos.

— A condição, além de também exigir um tratamento medicamentoso, com corticoides, por exemplo, pode aparecer em diferentes regiões do corpo — explica a médica.

Os lugares mais comuns são couro cabeludo, face e partes que apresentam grande concentração de glândulas sebáceas (responsáveis pela produção do sebo, ambiente apropriado à proliferação do fungo Malassezia globosa).

10) Se eu não tratar a caspa, ela se transforma em dermatite seborreica. MITO.

Caspa é a manifestação mínima da dermatite seborreica no couro cabeludo. A caspa não tratada pode piorar e aumentar a inflamação da região.

11) Usar xampu anticaspa previne o aparecimento da doença. VERDADE.

— O uso de xampus específicos é essencial para o tratamento e a prevenção do problema para aqueles que têm predisposição — afirma a dermatologista.

Uma das substâncias mais eficazes é o Piritionato de Zinco. A substância é capaz de agir diretamente no fungo (Malassezia globosa), combatendo-o e diminuindo a tendência à inflamação de forma efetiva.

— Mas o ideal é procurar um médico, que avaliará o melhor tratamento — recomenda.

12) Produtos que possuem o mesmo ingrediente ativo agem da mesma forma. MITO.

Especialistas concordam que a biodisponibilidade dos princípios ativos é extremamente importante para aumentar a eficácia de um tratamento. O Piritionato de Zinco, por exemplo, tem sua funcionalidade otimizada quando é acrescido ao xampu num formato exclusivo de partícula que se deposita em placas no couro cabeludo. Nesse caso, ele cobre toda a superfície do couro cabeludo (permitindo maior retenção do princípio ativo no enxágue e entre as lavagens), aumentando sua biodisponibilidade na região.

13) A caspa é contagiosa. MITO.

De acordo com Denise, a caspa não é contagiosa, pois o surgimento da condição depende da predisposição individual e de outros fatores combinados (estresse, cansaço, mudança de temperatura, excesso de oleosidade). Ainda que a quantidade do fungo Malassezia globosa esteja aumentada nas pessoas com caspa, ele não é transmitido de uma pessoa para outra.

14) A caspa pode gerar calvície. DEPENDE.

A caspa não é responsável pela calvície. A calvície está associada à predisposição genética. No entanto, a inflamação constante do couro cabeludo, como a provocada pela caspa, coopera para o agravamento da calvície.

15) Não há cura para a caspa. VERDADE.

A caspa só pode ser controlada e o tipo de tratamento varia conforme a gravidade do problema. Casos mais severos devem ser tratados sob a orientação de um dermatologista. Quadros mais leves podem ser controlados com o uso regular de um sistema de tratamento que alie xampu e condicionador específicos. Com o tratamento adequado, há casos em que a caspa fica anos sem aparecer.

Um estudo demostrou que a combinação do xampu com 1% de Piritionato de Zinco (PTZ) e condicionador com 0.5% de PTZ é 24% mais eficaz na redução do Malassezia globosa que a utilização sozinha do xampu. Além disso, essa combinação é 78% mais eficaz que a utilização do xampu anticaspa mais um condicionador sem ingrediente anticaspa. Portanto, o uso combinado de xampu e condicionador que possuam um ingrediente ativo anticaspa (como o PTZ), aumenta a eficácia do tratamento.

Um outro estudo mostra a deposição de PTZ no couro cabeludo nos três tipos de tratamentos mais comuns.

A (Azul) – Xampu com PTZ (formato exclusivo de partícula)
A (Vinho) – Xampu com PTZ + Condicionador com PTZ (formato exclusivo de partícula)
B – Xampu com PTZ + Condicionador sem PTZ

16) A coceira no couro cabeludo é um sinal do problema. DEPENDE.

Os principais sintomas mais comumente associados com a caspa são descamação, irritação, inflamação, sensação de couro cabeludo ressecado e coceira. Mas nem sempre a coceira significa caspa. É preciso identificar a proliferação do Malassezia globosa, fungo provocador da doença.

No entanto, coçar a cabeça piora a condição, porque irrita o couro cabeludo.

17) A mulher que tinge o cabelo não tem caspa. DEPENDE.

— A tintura de cabelo costuma ressecar o couro cabeludo, diminuindo a produção do sebo. Por um lado, isso, de forma indireta, pode melhorar o quadro da doença em pessoas predispostas a ela, já que o fungo Malassezia globosa se beneficia de um couro cabeludo oleoso — explica a dermatologista.

Por outro lado, a tintura pode provocar irritação no local, levando a descamação, vermelhidão e irritação da região. Mas isso não pode ser confundido com a doença.

18) A alimentação influencia o aparecimento da caspa. VERDADE.

A dieta é importante, de acordo com Denise.

— Alimentos com muito açúcar podem favorecer a resistência à insulina e estimular indiretamente mais oleosidade. Além disso, o zinco é conhecido por sua ação antisseborreica, especialmente em pessoas com deficiência do mineral. A deficiência do zinco está associada à maior tendência à dermatite seborreica — explica

Posted in Padão at maio 12th, 2011. 1 Comment.