Mr. Catra e a dificuldade em separar a verdade da mentira nas redes sociais.

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O perfil oficial do funkeiro disse que tinha passado por uma cirurgia de vasectomia. Uma pegadinha que enganou muita gente.
As redes sociais nos deixam com os dedos nervosos. Temos a necessidade de compartilhar antes de todo mundo aquela história sensacional. A tarefa de verificar se é verdade ou não costuma ficar em segundo plano. A falsa história sobre a vasectomia do Mr. Catra, personagem conhecido por sua contribuição ao povoamento da terra, é um dos mais recentes exemplos deste “fenômeno”.

Mr. Catra participou de uma pegadinha com o comediante Mauricio Meirelles chamada de Facebullying. Nela, Meirelles entra na página da pessoa no Facebook e começa a publicar algumas bizarrices, assim como estabelecer diálogos constrangedores com contatos desavisados. Na apresentação da última segunda-feira (25), o comediante postou na página do Mr. Catra a seguinte mensagem:
“Chegou o momento! Depois de 32 filhos, 4 netos e nenhum bisneto ainda, precisei tomar uma atitude. Hoje fiz vasectomia! Sei que as pessoas não vão gostar dessa ideia, mas achei necessário!”

Mr. Catra disse que saiu da apresentação de Meirelles e foi para um show. A bateria do celular acabou – até ele sofre com esses problemas de gente comum – e o cantor não corrigiu a informação em seu perfil. Foi o suficiente para que a notícia se espalhasse pelas redes sociais e depois chegasse às páginas de diversos veículos. No início da tarde de hoje (26/01), Mr. Catra esclareceu que se tratava de uma brincadeira.
Pasteurização do Facebook

 

É injusto colocar a culpa apenas nos “internautas” neste caso. Sites confiáveis reproduziram a notícia como verdade tendo em vista que se tratava do perfil oficial do cantor. Há aí uma discussão jornalística que este blog não pretende abordar. De qualquer forma, o caso de Mr. Catra é apenas mais um dos factoides que circulam pelas redes sociais e ganham status de verdade. É um efeito colateral do que chamo de “pasteurização do Facebook”, na falta de uma expressão melhor.
A rede social criou uma ferramenta bastante eficiente para compartilhar conteúdo, com um design bonito e padronizado. Assim, a notícia vinda de um jornal de notícias reais ou de um site como o Sensacionalista, por exemplo, aparece mais ou menos da mesma forma em nossos perfis. Cabe aos consumidores de informação estabelecer o que é verdade, o que é humor, o que é mentira, o que é teoria da conspiração etc. Só que, normalmente, são justamente as histórias mais absurdas que ganham mais engajamento, com comentários e curtidas. Assim, o sistema do Facebook, que escolhe o que a gente vai ver em nossos perfis, passa a priorizar aquela informação falsa em detrimento de uma notícia real.

Quando compartilhamos algo apenas lendo o título e a foto, quando não nos preocupamos em saber se aquele site é confiável, é de humor ou tem como única função espalhar inverdades nas redes sociais, estamos correndo alguns riscos. Na melhor das hipóteses, o risco de passar vergonha na frente de quem sabe que aquela informação não é verdadeira. Na pior, contribuir para que aquela mentira dita milhões de vezes se torne uma verdade, fazendo com que a vítima sofra com as consequências da boataria.

A pegadinha do Mr. Catra é só engraçada. Ele é um personagem. Mas e quando esses nossos dedos nervosos estão compartilhando informações falsas com potencial para destruir a vida de alguém? Lembram do caso da Fabiane Maria de Jesus, do Guarujá, litoral de São Paulo? Ela foi espancada até a morte depois de um boato nas redes sociais que dizia que ela fazia magia negra envolvendo crianças. Fabiane era inocente.

São dois casos extremos, incomparáveis em quase todos os aspectos. Há um ponto em comum, porém: os dedos nervosos dispostos a compartilhar qualquer coisa no Facebook. Da próxima vez, não custa nada acalmá-los e verificar se aquela informação é, de fato, verdadeira.

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