É fake? Alphabet lança ferramenta “profissa” para derrubar notícias falsas

Atualmente, uma das tarefas mais ingratas do jornalismo é identificar se uma foto é real ou se foi manipulada digitalmente, pois o uso de programas como o Photoshop permite que um bom design modifique de forma realista qualquer imagem. E, ao mesmo tempo, nunca foi tão urgente que as fotos que circulam pela internet sejam rapidamente identificadas como reais ou falsas, pois o uso de imagens falsas para difamar alguém, principalmente no meio político, nunca foi tão comum.

Foi pensando nisso que, nesta terça-feira (4), a Jigsaw (uma empresa da Alphabet que foi fundada com o nome de Google Ideas) anunciou o Assembler, uma ferramenta grátis que deverá ajudar jornalistas e pesquisadores a identificar que uma foto é real ou se ela foi manipulada digitalmente, conseguindo reconhecer tanto edições feitas por humanos quanto aquela imagens modificadas com o uso de IAs.

A ferramenta foi criada com o intuito de verificar a autenticidade de imagens e mostrar onde elas podem ter sido alteradas. Para usar o programa, os usuários que acessarem o Assembler só precisam fazer o upload de qualquer imagem que queiram verificar, e então o algoritmo utilizará sete tipos de detectores para tentar encontrar se a imagem foi alterada de alguma forma.

Isso é possível porque mesmo os algoritmos mais avançados de alteração de imagens podem deixar certos traços ao fazer qualquer alteração, seja inserir um elemento que não existe na imagem original ou mudar alguma coisa no plano de fundo dela. Assim, o Assembler consegue procurar traços específicos dessas manipulações, e não apenas avisar para o usuário se a foto foi ou não alterada, mas qual elemento provavelmente foi alterado e o tipo de alteração feita.

Esses algoritmos detectores foram desenvolvidos em conjunto com a Universidade da Califórnia – Campus de Berkeley (EUA), a Universidade Federico II de Nápoles (Itália) e a Universidade de Maryland (EUA), além de dezenas de organizações de verificação de fatos ao redor do mundo, como a Animal Politico (México), Rappler (Filipinas) e a Agence France-Presse (França).

De acordo com Luisa Verdoliva, professora na Universidade de Nápoles, os detectores do Assembler não são uma solução para o problema das fake news, mas uma ferramenta que pode ajudar a impedir a proliferação deste tipo de conteúdo. Essa é uma posição compartilhada por Santiago Andrino, gerente de produto da Jigsaw, que afirma que o Assembler não tem a intenção de acabar com o problema das notícias falsas por si só, mas sim de ser uma ferramenta que permitirá que jornalistas possam confirmar ou desmentir a veracidade de qualquer foto que receberem como parte de um “furo” jornalístico ou ainda imagens que viralizaram nas redes sociais.

Além dos Assembler, a empresa também anunciou uma nova plataforma interativa que irá mostrar quais foram as campanhas coordenadas de desinformação que ocorreram ao redor do mundo na última década. Entre as campanhas existentes nesta plataforma, estão os anúncios voltados para que soldados ucranianos se sentissem desencorajados a lutar contra as tropas russas, o que facilitou a anexação da Crimeia por Putin em 2014; a história de associações ligadas ao presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, pagarem para que pessoas ficassem nas redes sociais do país fazendo comentários positivos sobre Duterte em todos os conteúdos da imprensa que citavam o presidente; e até mesmo um caso brasileiro, no qual 232 contas de Twitter falsas foram utilizadas por estrangeiros no intuito de propagar informações falsas sobre o cenário político nacional na tentativa de manipular o resultado das eleições de 2018.

Esse banco de dados da Jigsaw não apenas cita as partes envolvidas em cada caso, mas também revela quais foram as táticas mais comuns nessas campanhas e o tipo de mentiras que elas espalharam pelas mídias sociais, somando um total de quase 60 casos que são explicados por mais de 700 investigações, artigos e reportagens publicadas pela imprensa nos últimos cinco anos, com curadoria do Laboratório de Pesquisas Forense Digital da Atlantic Council.

De acordo com Emerson Brooking, um dos trabalhadores do laboratório, o objetivo da plataforma interativa não é ser uma enciclopédia com todos os casos de campanha de desinformação já registrados, mas uma forma de tentar compreender qual é a “Linguagem comum” utilizada por todas essas campanhas. A partir desse caminho, pretende ajudar outros veículos de impressa e grupos de estudo a entender melhor como elas funcionam.

or enquanto, o Assembler é uma ferramenta exclusiva para a imprensa e é preciso comprovar o vínculo com algum veículo jornalístico para utilizá-lo, mas o banco de dados interativo sobre campanhas de fake news é de acesso público, e pode ser encontrado no próprio site da Jigsaw. A redação do Canaltech fez o teste e confirmou que, embora liberada para jornalistas, apenas um pequeno número de testadores têm acesso à ferramenta. Seja como for, estamos na fila e, se liberar, contaremos como o verificador da Alphabet funciona em um tutorial.

Fonte: The New York Times

Posted in Padão by Verdade e Mentira at fevereiro 5th, 2020.

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