Candidatos se contradizem no 1º debate. Verdade ou mentira?

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RIO – As checagens independentes feitas pela imprensa americana e por agências de notícias após o debate, e até pela equipe de campanha de Hillary Clinton, revelam imprecisões e mentiras por parte de ambos os candidatos. Mas as de Donald Trump são mais flagrantes — e numerosas. O magnata, por exemplo, atribuiu à campanha da rival um falso questionamento sobre o local de nascimento de Barack Obama em 2012 — quando, após anos alimentando a tese de que o presidente nascera no Quênia, reconheceu dias atrás que Obama é natural do Havaí. Trump ainda disse ter sido contra Guerra do Iraque desde o início, mas só o fez em público em 2004. E se enrolou para explicar por que não divulgou sua declaração de renda até agora. Nesse tema, houve imprecisões também por parte de Hillary, que aumentou as acusações — ele pagou pouco durante alguns anos na década de 1970, mas pagou. A democrata ainda exagerou o número de empregos de seu plano econômico.
Trump | Mudança climática

Hillary voltou a acusar o magnata de dizer que a mudança climática seria uma farsa perpetrada pelos chineses — o que Trump mais uma vez negou. Mas, enquanto ainda acontecia o debate, a equipe da democrata retuitou uma declaração dele de 2012, em que o republicano dizia claramente: “O conceito de aquecimento global foi criado por e para os chineses para tornar a indústria americana não competitiva”. Além disso, durante todo o ano passado, Trump chamou a mudança climática de farsa, e disse que não acredita que seja causada pelo homem.

Trump | Invasão ao Iraque

O magnata afirmou repetidamente durante o debate que se opôs à Guerra do Iraque, em 2003, desde o início. Mas, perguntado sobre o tema numa entrevista em setembro de 2002, disse que apoiava uma possível invasão (“Sim, suponho que sim”, respondeu). Ele só questionou a guerra publicamente em 2004, quando quase todo mundo já a criticava. Antes, chegou a dizer que o então presidente George W. Bush estava fazendo um bom trabalho e manifestou impaciência com a demora na invasão.

Trump | Estado Islâmico

Ainda dentro do tema de segurança nacional, o magnata disse que Obama e a própria Hillary haviam criado as condições para que o grupo extremista Estado Islâmico surgisse. Mas o grupo nasceu como uma dissidência da al-Qaeda ainda em 2003, quando Bush comandava os Estados Unidos. Obama, por sua vez, retirou as tropas americanas do Iraque em 2011, seguindo um cronograma acordado por Bush e o governo daquele país. O grupo se expandiu e ganhou força apenas após a guerra da Síria, onde os EUA começaram a intervir em 2014. Na mesma pergunta, Trump ainda disse que Hillary vem lutando contra o grupo em toda sua fase adulta — possivelmente a acusação mais estranha da noite. A democrata tem 68 anos.

Trump e Hillary | Criação de empregos

A candidata inflou números sobre o tema. De acordo com ela, peritos independentes que analisaram as duas propostas afirmam que o projeto do bilionário significaria a perda de 3,5 milhões de postos de trabalho e talvez outra recessão, enquanto seu plano para a área criaria mais dez milhões de empregos. Os números, no entanto, são de um único especialista, o economista Mark Zandi Moody, amplamente respeitado, mas doador da campanha de Hillary. Trump também errou nesse quesito, ao dizer que os empregos estavam diminuindo, já que muitas indústrias, como a Ford, estavam fechando as portas nos EUA e indo para o México. Não existem dados oficiais sobre fluxos de trabalho entre os dois países. Além disso, foram criados cerca de 14,9 milhões de empregos desde 2010 nos EUA.

Hillary | Irã

Trump criticou todos os acordos assinados pelo governo Obama, sobretudo o fechado com o Irã por seu programa nuclear. Hillary disse que quando virou secretária de Estado, o país estava na iminência de ter material nuclear suficiente para fabricar uma bomba porque, segundo ela, o Irã já dominara o ciclo do combustível nuclear no governo Bush. O que não é totalmente verdade: o Irã só chegou perto de ter material nuclear para uma bomba no governo Obama, quando ela já era secretária de Estado.

Trump e Hillary | Tratados comerciais

Ao atacar o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio, aprovado por Bill Clinton, Trump disse que o pacto foi o grande responsável pela queda na produção industrial dos EUA — o que não pode ser atribuído apenas ao acordo comercial. Economistas até hoje discutem seus efeitos sobre a geração de emprego. Hillary, por sua vez, negou que tivesse chamado o Acordo Transpacífico (TPP) de “padrão ouro” e que afirmara apenas que esperava que ele desse certo. O que também não é verdade: o comentário otimista da democrata foi feito em 2012, em uma viagem à Austrália como secretária de Estado.

Trump | Dinheiro do pai

Provocado por Hillary, Trump afirmou que fez somente um “pequeno empréstimo com seu pai” para começar a carreira. Em 1978, no entanto, seu pai lhe deu um valor estimado em US$ 1 milhão (cerca de US$ 3,7 milhões atualmente, segundo o jornal “The Guardian”). Três anos depois, em 1981, foi feito outro empréstimo no valor de US$ 7,5 milhões.

Posted in Candidatos Se Contradizem Em Debates at setembro 30th, 2016. No Comments.

Lula saiu na capa da Forbes e é um dos homens mais ricos do Brasil. Verdade ou Mentira?

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Uma falsa capa da Forbes, revista norte-americana de economia e negócios, circula há alguns anos pela internet. Ela mostra Lula como principal personagem do ranking dos homens e mulheres mais ricos do mundo, elaborado todos os anos pela revista.

Para começar, trata-se de uma montagem grosseira. Uma simples busca nos arquivos da publicação comprova que a tal capa nunca existiu. Mesmo assim, o boato se espalhou tanto que a própria Forbes fez questão de publicar um desmentido, em 2013. O nome de Lula jamais constou do ranking anual de bilionários dessa ou de qualquer outra revista, pela simples razão que Lula não é e jamais foi bilionário.
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